"Até ao início do século XII, muitos dos que percorriam a Ruta Jacobea tinham a noção de que transitavam por uma metáfora enorme e precisa da vida. Na verdade, ainda hoje é a melhor que o engenho humano concebeu. Esses fiéis encaravam a sua rota nos frondosos Pirenéus franceses, rodeados por vegetação e água, como representação perfeita da infância. Depois, com o passar do tempo, iam amadurecendo ao entrar em terrenos mais planos, terras férteis de La Rioja ou Aragão, que evocavam a adolescência e a plenitude. Ao entrarem em Castela, todo esse esforço se desfazia em pó. A secura e aspereza do Caminho em Burgos ou Leão eram a encarnação ideal da velhice e da morte, recebendo uma lição inestimável sobre a fugacidade da existência. Mas, Julia, todos eles sabiam que ao chegarem a Leão ainda lhes restava mais um trecho para percorrerem. O do Paraíso. Entusiasmado, atravessavam por O Cebreiro e entravam na Galiza exuberante, rica em árvores e regatos. Atravessavam-na assombrados até alcançarem Santiago e aqui, depois de quase oitocentos quilómetros a pé, neste lugar onde nos encontramos [Pórtico da Glória], acontecia o milagre. (...) Os peregrinos, depois de percorrerem o Caminho desde a infância até à morte e mais além, chegavam aqui e descobriam que também eles se podiam transformar em luz e continuar... a viver." (in O Anjo Perdido de Javier Sierra).Fotografia tirada em Ponte Sampaio, Pontevedra, no Caminho Português de Santiago de Compostela, no dia 8 de setembro de 2006, com a Mónica.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Caminho Francês de Santiago de Compostela
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terça-feira, 10 de março de 2009
Caminho Português de Santiago de Compostela (I)
Foto no final do jantar de convívio (já depois de tudo limpo e arrumado), no Albergue de Briallos, entre os peregrinos que faziam o Caminho Português de Santiago de Compostela.
Foi no dia 7 de Setembro de 2006.
Por onde quer que vocês andem... um abraço a todos com saudades.
Caminho Português de Santiago de Compostela
Já foi em 2006.
Tudo começou no fim-de-semana da festa de Vilarandelo em conversa com a Mónica. Era uma daquelas coisas que ambos queríamos por em prática. Estávamos a passar por um daqueles momentos em que nos apetecia, como acontece ao longo da vida a muitas pessoas, agarrar numa mochila e ir para qualquer lado e por vezes sem destino. Nós fizemos o mesmo... mas o destino era Santiago de Compostela.
No dia 4 de Setembro iniciamos o Caminho a partir de Valença. Tudo era novidade: o itinerário, as credenciais, as setas...
Todas as noites nos deitávamos na expectativa de se, no dia seguinte, conseguiríamos ou não retomar a caminhada. Mas todas as manhãs, por volta das 5h30/6h00, já estávamos prontos para mais uma jornada.
Foram seis dias de muito convívio com outros peregrinos (três casais espanhóis de Tarragona, três senhoras professoras de Castelo Branco e o respectivo guia de Braga, uma irlandesa, uma portuense, um brasileiro e um argentino) e um jantar de convívio no Albergue de Briallos.
Foi uma semana sem telemóvel, sem problemas, sem stresses, com muita paz interior e exterior e algum cansaço... Mas valeu a pena...
Ainda tivemos tempo de apanhar pulgas no Pavilhão Gimnodesportivo de Padrón (onde ficamos instalados) fazendo com que a última jornada do caminho fosse um grande sacrifício para a Mónica devido a problemas de alergia.
Esta foto foi tirada junto à Ponte das Febres logo no primeiro dia e ainda faltavam cento e muitos quilómetros para chegar ao destino.
Aconselho a quem se quiser aventurar. É uma excelente terapia para qualquer coisa.
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